O risco de rebaixamento em 1989 e a situação atual

Em 1989, o Grêmio estava pra ser rebaixado. A situação foi buscar um opositor, Rafael Bandeira dos Santos, para comandar o futebol e tentar manter o clube na primeira divisão regional.

O Grêmio precisava vencer o Glória, em Vacaria, para fugir de um octogonal que poderia levar ao rebaixamento. Havia um clima de tensão no Estado. De um lado, gremistas preocupados; de outro, colorados sorridentes.

Foram contratados Edinho, capitão do Brasil na Copa de 86, o volante Jandir e Hélcio, lateral-esquerdo. Cláudio Duarte foi contratado para tirar o time da enrascada.

E o time era bom: Mazaropi; Alfinete, Luiz Eduardo, Edinho e Hélcio; Jandir, Cristóvão e Cuca; Almir, Kita (Marcus Vinícius) e Paulo Egídio (Amaral).

Enfim, foi um suplício. Uma semana de preparativos. Um jogo duro, paralisações, Edinho expulso. Mas o que interessava: o Grêmio venceu por 2 a 1 e escapou da degola.

Hoje, o Grêmio vive uma situação quase dramática, e que pode se tornar dramática se não vencer o Novo Hamburgo, sábado, na Arena. Lembrando que o time será como esse que perdeu para o Veranópolis por 2 a 1.

Diferente de 1989, o Grêmio parece não ligar para a possibilidade concreta de rebaixamento no Noveletão. Até o técnico Renato parece resignado.

Há um clima de tanto faz, tanto fez.

Esse conformismo está se refletindo na atuação do time no regional. Se o Grêmio tivesse jogado contra o Veranópolis com o espírito guerreiro que levou o clube a escapar em 1989, não tenho dúvida que venceria, mesmo com essa arbitragem que validou um gol muito discutível (duvido que se fosse contra o Inter o gol seria confirmado) e um pênalti muito claro a favor do tricolor, tão claro que alguns ‘especialistas’ evitam comentá-lo.

Nas redes sociais e nos programas de rádio, gremistas se manifestam a favor da queda para a segundona para apatifar o Noveletão, tamanha a raiva de grande parte da torcida em relação ao presidente da FGF (será que existe no Brasil situação semelhante? Acho que não).

Percebo, no entanto, que muitos gremistas temem o rebaixamento – ao contrário do que pensam desconfio que o sr Novelletto até ficará satisfeito, festejando com um delicioso salmão regado ao melhor champanhe, mas é apenas uma desconfiança.

Hoje, eu diria que a maior parte da torcida quer o Grêmio fora do Gauchão, mas não rebaixado. Que consiga apenas a pontuação necessária para não cair e também não se classificar. É isso.

De minha parte, continuo defendendo a luta pelo título. Do jeito que for possível considerando a Libertadores (são dois jogos agora e depois só em abril). Se o Grêmio for eliminado do Gauchão, serão praticamente 30 dias sem jogo oficial.

Sei que a hora não é para otimismo em termos regionais, mas em 1989 o Grêmio escapou da queda humilhante para conquistar o título estadual e a Copa do Brasil.

Tudo com muita raça, muita determinação. Muita vontade!

RECOPA

Agora, acima de toda essa encrenca está o jogo contra o Independiente.

O título está ao alcance do Grêmio, que joga em casa e com o apoio da maior  e mais vibrante torcida do sul do país. Ah, importante, com seus titulares, e talvez até com Arthur.

Em caso de derrota (toc-toc-toc) o técnico Renato verá que a instalação de uma crise independe de sua vontade (ou de quem quer que seja), ao contrário do que ele afirmou após o jogo em Veranópolis.

A consagração demora, mas uma crise chega rapidinho.

 

Um Iniesta pra chamar de seu

Começo com um assunto que não interessa à maioria dos gremistas. inclusive alguns parceiros/amigos deste blog: o Gauchão, vulgo Noveletão. Portanto, podem me deletar ou pular para o próximo tópico.

Como muitos gremistas desprezam o nosso regional – defendem que o Grêmio deveria largar, jogar só com o time C ou algo assim -, é possível que nem saibam que o time joga amanhã, em Veranópolis, às 21h30.

Essa informação é válida ao menos para os que pensam como eu, que ando cansado de ver o clube ser violentado no campeonato do sr Novelletto, o presidente que só chama à sua sala juiz que erra contra o seu amado Inter.

Se isso não é uma forma de condicionamento não sei mais nada.

Sobre o jogo deste sábado, Renato está certo em poupar titulares, mas armando um time mais forte, inclusive com a presença de Ramiro.

Aliás, o Independiente fará o mesmo no campeonato argentino.

APLUB

Curioso, é o mesmo grupo que adquiriu o naming rights da sede da Federação Gaúcha de Futebol por dez anos, como lembrou muito bem o @alexaguiarpoa. Será que essa apuração vai chegar lá?

Justiça condena executivo Aplub por gestão temerária

RECOPA

Será que eu perdi alguma coisa? Será que empatar contra qualquer clube argentino, na Argentina, onde cada jogo parece um acerto de contas por questões culturais, econômicas, futebolísticas, etc, deixou de ser um bom resultado?

Está certo que o time não foi bem no primeiro tempo e não soube aproveitar que jogou com um jogador a mais boa parte do jogo, mas daí a colocar em segundo plano a relevância do resultado alcançado e só destacar os problemas é de enlouquecer.

Será que o Independiente é um Veranópolis da vida e eu não sabia? Esse time argentino tem qualidades que não podem ser ignoradas, como atacantes endiabrados que infernizaram a defesa. É bom de vez em quando olhar um pouco para o time que está nos enfrentando.

Bem, já estou com ingresso comprado. Será um grande jogo. Os preços estão mais acessíveis. Vamos lotar a Arena.

Aqueles que gostam de murmurar a cada erro do time, por favor, fiquem em casa.

D’ALESSANDRO

Demorou, mas já ouvi gente dizendo que o Inter tem o seu Iniesta. Claro, se o Grêmio tem o seu, o Arthur, os colorados da mídia não poderiam ficar atrás.

O problema é que a única semelhança entre o Iniesta verdadeiro e o colorado é o idioma.

Pois D’Alessandro, que muitos cronistas isentos já descartavam em função da idade, de repente voltou a ser o cara.

Contra o Juventude, jogando com uma liberdade absurda, realmente ele foi muito bem. Eu disse contra o Juventude, não foi contra o Independiente.

Mas isso não importa, o que interessa a esse pessoal é achar um Iniesta pra chamar de seu.

Essa história a gente já conhece. Já vimos esse filme. O argentino é um leão no torneio do Novelletto; um gatinho no Brasileirão.

DICA DE LEITURA

 

Desrespeito

Recopa: Renato começa mal, corrige e acerta o time

Mais deprimente que o primeiro tempo do Grêmio contra o Independiente foi ligar a TV e deparar não com o grande jogo pela Recopa em Buenos Aires, mas com um desses ‘clássicos’ do Gauchão.

Eu fui conferir se era verdade (não queria acreditar) que a RBS não transmitiria o duelo pelo título da Recopa envolvendo um time gaúcho, o Grêmio, e um argentino. Era verdade!

O jogo, portanto, não passou na TV aberta.

Assim, muita gente ficou no radinho. Por um lado foi bom, porque quem dependia do canal aberto deixou de ver um Grêmio irreconhecível em boa parte do confronto, como destacou a equipe da Fox.

O Grêmio, iniciando a temporada assim como seu adversário, foi dominado, e só não foi com derrota para o intervalo por detalhe. Por sorte, o Grêmio achou um gol na falha da zaga. Luan interceptou um passe, invadiu e área e desviou do goleiro com a categoria que Deus lhe deu.

Era um gol para dar tranquilidade ao time, mas foi o contrário. O Independiente foi para cima. Foi com tanta vontade que Giglioti acertou uma cotovelada em Kannemann, e foi expulso a partir de informação do árbitro de vídeo (VAR).

Mesmo com um jogador a mais, o Grêmio cedeu o empate. Bruno Cortez marcou contra de cabeça, após um lançamento para a área.

O time argentino continuou superior. Teve até bola na trave. O Grêmio não conseguiu exercer a marcação no campo inimigo.

A escalação do jovem Lima se mostrou um equívoco do técnico. Ele tem potencial, mas não conseguiu mostrar seu futebol nesse jogo de confronto com argentinos em que muitas vezes prevalece a experiência e a força.

No segundo tempo, aos 8 minutos, Alisson entrou no lugar de Lima. O time melhorou consideravelmente. Aos poucos o Grêmio foi comando conta do jogo, marcando no campo do adversário, tocando a bola e buscando a melhor jogada para fazer o gol da vitória.

Algumas situações foram criadas, e desperdiçadas. Nos minutos finais entraram Maicosuel e Jael. O Grêmio tinha controle total do jogo. Faltou criar situações mais nítidas de gol.

No final das contas, considerando o erro de Renato em começar com Lima, o que contribuiu para o domínio argentino no primeiro tempo, o empate não foi um mau resultado – considerando a falta de ritmo da equipe.

Mas foi frustrante, já que o adversário jogou a maior parte do tempo com um a menos.

A decisão fica para quarta-feira, na Arena. Um novo empate leva para os pênaltis.

Corrigindo: o empate leva à prorrogação e depois, se for o caso, aos pênaltis. Fortes emoções.

Brocador não empolga, mas é um goleador

Chegou Hernane Brocador. O Grêmio tentou, e tentou de verdade, mas não conseguiu trazer André. Decidiu investir em outro centroavante de área, ao estilo de Jael.

São estilos parecidos, mas Brocador tem um histórico superior ao de Jael, apesar de instável, de irregular.

Na temporada 2013/2014, Brocador foi ídolo da torcida do Flamengo. Marcou 45 gols em 73 jogos. Não é pouca coisa. Tem muito camisa 9, alguns que inclusive passaram pelo Grêmio,que não atingiu esse número em toda a carreira.

Se for por uma questão de gols marcados, Brocador é até um reforço interessante.

No entanto, a contratação de outro ‘aipim’, outro camisa 9 de carteirinha, é uma sobreposição de peças.

O certo seria ter contratado um atacante com melhor técnica e mais mobilidade, como André, do Sport. Mas os pernambucanos pediram demais por um jogador de altos e baixos, inclusive com problemas extracampo em sua trajetória.

Ao não encontrar alguém do estilo de André, que joga pelo meio e pelos flancos, o Grêmio apostou em Brochador, que em abril completa 32 anos. É um atacante centralizado, de força e boa capacidade de conclusão, como provou em mais dois ou três clubes, o último é o Bahia.

Não é a contratação que eu esperava – não significa que o Grêmio desistiu de um goleador com a característica de André, ou do próprio André -, mas é melhor do que ficar dependendo de Jael.

Preferia apostar em alguém da base, mas quem?

O último camisa 9 inquestionável formado pelo Grêmio foi Alcindo. Sim, é verdade, podem pesquisar. É um dado alarmante, mas verdadeiro.

Por fim, Hernane Brocador é o que havia no mercado dentro das condições financeiras do clube. Se ele repetir sua passagem pelo Flamengo, se trata de um reforço importante para essa temporada de muitas competições.

Com ele, ao menos, diminui o risco de Jael entrar. Ele não empolga, mas se trata de um goleador.

Só espero que Renato não desista de sua preferência, um ataque de mais movimentação, sem centroavante fixo – como ficou provado na CB de 2016.

E que ele resista ao bombardeio midiático por um ‘aipim’, preferência de boa parte dos torcedores gaúchos, em especial os gremistas.

Bem, por enquanto, os fãs do camisa 9 gigolô de time estão vencendo.

 

 

 

Neca e o falso 9

O blog cornetadorw propõe um debate interessante ao lembrar que essa história de aipim x atacante flexível é mais antiga que ‘pedir fiado’, como se dizia.

RW recupera a figura de Neca, um atacante/meia que o Grêmio trouxe do Esportivo por indicação do mestre Enio Andrade.

Pois o cara empilhou gols, 42 num ano, em 1975. Vocês imaginam alguém fazendo tantos gols hoje no futebol brasileiro?

Neca, apesar de tantos gols e passagem pela seleção brasileira, era questionado. O Paulo Sant’Ana, guru de alguns, atacava o Neca, salvo engano de minha memória.

Agora ao que interessa: Neca era o falso 9 no esquema de Ênio. Seria um Luan hoje, só que com menos técnica, mas mais objetividade e força. E melhor capacidade de conclusão. Era um outro futebol.

O ‘texas’ acabou com o Neca, que foi brilhar em terras mais civilizadas.

Vale a pena ler o material do RW.

De minha parte, sou adepto fervoroso do falso 9, mas gosto de um 9 tipo o André, do Sport.

 

Grêmio entra de corpo e alma no campeonato

Foi uma vitória para matar secadores (gremistas e colorados). Dos colorados não esperaria outra coisa, mas é duro ver gremista secando o próprio time porque desprezam o Gauchão ou porque consideram que o ‘prazo de validade do Renato já venceu’ (sério, eu li e ouvi isso nesses dias bicudos) e para ter essa tese absurda confirmada acabam torcendo contra o clube.

Sei de gremista que gostaria de ver o Grêmio rebaixado no regional ‘só para sacanear o Novelletto’; tem também aquele gremista que colocaria um time C para enfrentar o Inter em algum momento, mesmo arriscando levar uma goleada histórica. Vá entender cabeça de torcedor.

A grande maioria, porém, pensa diferente. Não aceita ver o time nessa situação humilhante. Por isso, vibrou muito com a reação diante desse time muito bem armado pelo Clemer (o que, aliás, constatei e escrevi aqui após assistir à vitória dos pelotenses sobre o Inter que o jogo seria duro).

O Brasil recuou todo e marcou firme, sem ser desleal para minha surpresa. Foi uma marcação tão bem feita que o Grêmio ficou girando a bola e praticamente não entrou na área do adversário no primeiro tempo. A melhor chance gremista foi um chute de fora da área do Maicon, que aos poucos volta a ser o grande Maicon da Copa do Brasil/2016.

Já o Brasil, com sua retranca sólida e opções ofensivas, poderia ter feito 2 a 0 no primeiro tempo. Marcelo Grohe fez milagre num chute à queima-roupa, da risca de pequena área. No minuto seguinte, Robério fez 1 a 0, um belo gol, mas a zaga ficou olhando.

No segundo tempo, Renato sacou Madson, figura de novo muito apagada, comprometedora mesmo, e também Jaílson. Entraram Alisson e Jael. com isso, Renato acertou o time. Já o Brasil não conseguia mais manter a marcação rígida do primeiro tempo, talvez em função do cansaço de algumas peças. O fato é que o Grêmio encontrou mais espaço para atacar.

Alisson empatou com um chute no canto direito, com Marcelo Pitol sendo traído pelo pique da bola. Depois, Éverton acreditou numa bola quase perdida, lançamento do Maicon, e cruzou para a área, onde apareceu Luan para fazer 2 a 1.

Depois disso, o Grêmio administrou a vantagem que o coloca na disputa por uma vaga à próxima fase, para frustração de um tipo de gremista que prefere ver o Noveletão  desmoralizado sem o Grêmio na disputa a ver seu time recuperando a hegemonia regional. Tem gremista que quer o Grêmio escapando do rebaixamento, mas ficando de fora da próxima fase.

De minha parte, vi um Grêmio entrando de corpo e alma no campeonato. Como deve ser.

ARBITRAGEM

Por fim, a arbitragem. Gostei do Anderson Farias. O problema dele foi o bandeirinha que marcou impedimento num lançamento para Alisson, que ficaria sozinho diante do goleiro. Poderia ser o terceiro gol. Continua valendo aquela máxima do Noveletão: na dúvida contra o Grêmio. Assim é e assim será.

TRANSIÇÃO

César Bueno (ainda não descobri quem é o padrinho dele no Grêmio) perdeu o cargo. Nada mais justo, seu trabalho foi muito ruim no time de transição. Só serviu para ajudar a queimar alguns jovens da base e deixar o clube em má situação no campeonato.

Sim, houve soberba da direção, que acreditava que com o time C faria uma campanha ao menos mediana para transferir o bastão aos titulares. Entregaram uma batata quente.

Agora a direção aposta em outro novato, Thiago Gomes, que foi auxiliar do Falcão no Sport. Insisto: por que não deixar essa gurizada com um técnico cascudo do nosso interior?

Tenho certeza que o Grêmio estaria hoje em situação muito mais confortável no regional.

Grêmio terá de jogar muito para seguir vivo no regional

“Restam seis vagas, uma delas é do Grêmio”, afirmou Renato Portaluppi após a surpreendente derrota por 1 a 0 diante do modesto Cruzeiro, em plena Arena.

Nem o gremista mais pessimista, – tão pessimista que não seria aceito nem no bando dos urubulinos, gremistas que invariavelmente preveem o fracasso tricolor – imaginaria um resultado negativo na volta do time titular. Jamais.

Foi um placar injusto, porque o Grêmio criou boas situações de gol. Seu goleiro foi destaque, enquanto Grohe quase não trabalhou. O Grêmio com sua equipe titular foi superior, mas não cristalizou isso no marcador.

Além da falta de perícia nas conclusões e também no penúltimo passe, tem a questão da arbitragem.

Conforme tenho escrito e repetido há anos, no Gauchão vigora uma norma que não está escrita, mas paira no ar: na dúvida, contra o Grêmio. Na maioria das vezes é isso que acontece.

Sábado, naquele horário absurdo, o juiz Jean Pierre (sempre que deparo com esse nome lembro daquela inaceitável não expulsão do Damian, em Santa Cruz), foi ágil e preciso para marcar pênalti contra o Grêmio. Ele acertou, foi mesmo, mas é daqueles lances corriqueiros, que normalmente um juiz deixa passar.

Depois, ele deixou de assinalar dois pênaltis contra o Cruzeiro. No primeiro, Éverton foi calçado junto à linha de fundo, com a bola dominada. O ‘comentarista’ Batista disse que houve o toque, mas foi sem força e que Éverton se jogou.

No outro pênalti, Lima foi empurrado quando invadia a área. O adversário foi direto no corpo de Lima dentro da área. Pierre, em cima da jogada, fez olhar de paisagem.

Posso estar enganado, mas não ouvi ninguém do Grêmio reclamando. Estarei eu vendo coisas, ou o silêncio sobre os dois lances foi por constrangimento.

Para um time que está pegando ritmo, cada erro desse tipo tem um peso enorme.

Resumindo, o Grêmio até que jogou bem para quem está voltando. Mereceu vencer na bola, mas encontrou uma arbitragem que cometeu os tais erros humanos, tão comuns no Noveletão.

O maior ensinamento desse jogo contra o Cruzeiro é que o Grêmio terá que jogar mais do que jogou no sábado, porque precisará superar outros obstáculos.

E de nada adiantará Renato prometer isso ou aquilo. Antes que qualquer coisa, é preciso combinar com os russos (como diria o Garrincha), mas os ‘russos’ não estão a fim de conversa.

Assisti hoje à vitória do Brasil de Pelotas sobre o misto do Inter. Esse time, adversário tricolor na quarta-feira, armado pelo Clemer tem qualidade, marca bem e contra-ataca com velocidade. Será muito mais difícil que o Cruzeiro.

Aonde eu quero chegar? Simples, não será nada fácil a classificação.

Mas como disse o presidente Romildo, se o Grêmio ficar de fora não será problema. Parece que será um alívio a eliminação (sem o rebaixamento humilhante, lógico). Percebo que muitos gremistas pensam da mesma forma.

Os onze mil heróis que foram à Arena no sábado à noite não pareceram muito incomodados com resultado negativo. Em outros tempos, haveria vaia, ou pelo menos murmúrios.

Esse sentimento, eu acredito, se deve aos efeitos do tri da América e ao desprezo que nove entre dez gremistas têm pelo campeonato do Novelletto.

Eu também desprezo o Gauchão, mas acho que o Grêmio deve brigar pelo título.

O primeiro passo, agora, é garantir a classificação. Para isso, será necessário encarar o Gauchão como uma mini Libertadores.

Sinceramente, não sei se o Grêmio quer tanto assim esse título.

 

Noveletto: o cavalo passou encilhado e o Grêmio não montou

Que o presidente Noveletto dá uma sorte danada para o Inter, ninguém tem dúvida. O curioso é que essa sorte nos últimos tempos só acontece regionalmente, ou seja, na região abaixo do Mampituba.

Cruzou a divisa com Santa Catarina tudo muda.

Esse fenômeno tem me tirado o sono. Faz tempo. Fico imaginando o que aconteceria se Noveletto, conselheiro colorado que um dia tentou ser presidente do clube, assumisse um cargo de relevância nacional no futebol.

Uma vice-presidência ou, pior, a presidência da CBF. Quem sabe um posto internacional, uma diretoria da Conmebol.

Não se enganem, Noveletto tem ambições. E é competente. Andou se assanhando para disputar o comando da CBF, mas encontrou pela frente gente mais ligeira que ele.

E olha que Noveletto é rápido no gatilho. Por exemplo, o estatuto da FGF dizia que conselheiro eleito de algum clube filiado não poderia ser presidente da entidade. Ou seja, a candidatura de Noveletto contrariou o estatuto. Ele poderia ter sido destituído.

Na época, o presidente Romildo partia para um enfrentamento com o chefão da FGF. Eu cheguei a pensar que o Grêmio poderia ingressar com uma ação para afastar Noveletto da federação.

Tem um ditado português que diz: ‘Antes que o mal cresça, corte-lhe a cabeça’.

Em setembro, foi alterado o estatuto, que agora permite que um conselheiro eleito seja dirigente da federação, inclusive presidente. Ele arrumou a casa.

São praticamente 14 anos de presidência obtida de forma irregular, ilegal, como está claro no estatuto anterior. Aliás, a mudança apressada do estatuto é uma confissão.

O fato é que o cavalo passou encilhado, e o Grêmio não montou.

O interessante é que o estatuto, em vigor desde setembro, não estava publicado no site da FGF, conforme divulgou o blog cornetadorw ontem pela manhã.

CONFIRAM: http://cornetadorw.blogspot.com.br/2018/01/como-se-faz-um-post-sem-internet-de.html

O documento apareceu hoje, como num passe de mágica. Resultado, claro, da repercussão nas redes sociais do fato descoberto pelo RW e sua rede de  corneteiros.

Então, agora Noveletto está tranquilo, sereno, pode continuar articulando para cruzar o Mampituba. Está no seu direito. Não duvidem, um dia ele chega lá. Parte por culpa do Grêmio.

Restar esperar que a sorte que ele dá ao Inter não o acompanhe na CBF, nem na Conmebol.

GAUCHAO

O time titular do Grêmio volta neste sábado. Local: Arena. Horário (acreditem): 21h30

Esse é o tamanho do respeito que a federação tem pelo Grêmio, e sua torcida.

O Grêmio e a obsessão por centroavante de carteirinha

Nada contra o Gonzalo Carneiro, centroavante que o Grêmio parece estar contratando.

O que me preocupa é o que essa contratação representa. Ela indica um fascínio por atacante grandão, de técnica pobre, pouca velocidade e muita força física.

Eu pensei que Jael já satisfaria esses adoradores de aipim, fãs do camisa 9 tradicional, uma espécie cada vez mais rara e quase ausente de qualquer grande clube do futebol europeu.

Quem tem Jael, não precisa de outro ‘camisa 9’. Imaginei que o Grêmio, sua direção e comissão técnica, estaria em busca de um atacante de área, mas de movimentação, com flexibilidade e boa técnica, como foi Lucas Barrios em seus melhores momentos na Arena.

De certa forma, fico decepcionado com Renato, o ídolo que vai virar estátua, conforme ficou decidido em reunião do Conselho Deliberativo e com a qual eu não concordo.

Pensei que Renato, depois de acertar o time na Copa do Brasil de 2016, com um ataque de muita movimentação, sem o tal centroavante de área, capaz de fazer gols salvadores de cabeça, havia encontrado a fórmula do sucesso no futebol atual. Muita velocidade, troca de posições, movimentação intensa e chegadas surpreendentes dos homens de trás.

O experiente Robinho, vendo tudo isso no Grêmio campeão da CB 2016 saiu atordoado de campo e sequer disfarçou sua admiração pelo futebol que o tricolor jogou nas fases decisivas do torneio sem um atacante fixo na área.

Os sinais indicam, lamentavelmente, que Renato sucumbiu ao atacante de área, com a mobilidade de um cone, ou de um aipim. É uma pena.

Pode ser que o Grêmio esteja adotando a tática do quero-quero, que canta aqui e põe o ovo ali. Não é o que parece, mas é o que eu gostaria. Sugere a contratação desse talento do glorioso Defensor e anuncia um atacante mais adequado ao futebol atual e ao esquema de jogo do time.

Fora isso, resta torcer para que o uruguaio dê certo (o que eu duvido apesar dos lances que vi dele) e se transforme num novo Jardel, sonho que se renova a cada início de temporada na cabeça de certos gremistas na aldeia.

DE LEÓN

Hoje, li que o técnico do Defensor elogiou bastante esse jovem centroavante do decadente futebol uruguaio. É claro que ele só poderia elogiar.

Sugiro que ouçam o De León e algum técnico adversário do Defensor. Pelo menos serão opiniões mais confiáveis.

Segue a campanha deprimente e a fritura de talentos

Quando começou o Noveletão havia muita expectativa e, em alguns casos, entusiasmo em relação aos jovens que teriam uma sequência de jogos nas primeiras rodadas.

A gente sabe que o funil no futebol é inevitável. Esses que estão jogando venceram uma etapa, outros tantos ficaram pra trás. Então, esse grupo eleito para jogar (por bola e/ou por ‘quem indica’) está muito perto de atingir seu objetivo profissional: ascender ao grupo principal.

Mas todos nós sabemos que pela lei das probabilidades apenas uns dois ou três, se tanto, serão aproveitados agora, o restante, a maioria, vai acabar em algum clube médio/pequeno ou até voltar aos bancos escolares. É assim. É cruel, mas é assim. E isso vale para todas as profissões.

Vale também, por exemplo, para candidatos a treinador, como é o caso desse rapaz responsável por treinar o time de transição. A direção gremista cometeu um erro ao entregar esse grupo inexperiente e cheio de expectativa e ansiedade nas mão de um noviço.

Com tanto treinador experiente em Gauchão desempregado. Lembrei semana passada do Beto Almeida, mas há outros.

O fato é que o time está aí, na verdade uma caricatura de time. Eu não espero um time entrosado em tão pouco tempo, mas ao menos poderia ser um time compactado, sem essa distância entre os setores que mais uma vez se viu hoje no Passo d’Areia.

O Grêmio perdendo por 2 a 0, faltando dez minutos, e nada de fazer uma pressão, marcar a saída de bola. Instalar-se no campo adversário é o mínimo que eu esperava. O goleiro do Zequinha foi um espectador, só não privilegiado porque o que se via nesse terrível campo sintético era uma pelada deplorável.

Temos, então, o Grêmio C/D despencando na tabela de classificação e na qualidade do seu futebol. Em Ijuí, o time até que foi bem e merecia ter vencido. No segundo tempo, fez um grande primeiro tempo, caindo no segundo. No terceiro jogo, dois tempos ruins, como agora.

Time em queda livre. Espero que já na próxima rodada entre o time titular. Porque queiram ou não é o Grêmio que está jogando, ou tentando jogar.

BRASILEIRÃO

Agora, o que me assusta são os sinais que saem da Arena anunciando o Armagedon gremista no Brasileirão/2018. Há indicativos assustadores, preocupantes, de mais uma vez priorizar a Copa do Brasil em detrimento do Brasileiro. Jogaria, como no ano passado, um time B/C.

Duvido que isso aconteça, até porque sempre tem o risco de rebaixamento. Mas são os sinais apocalípticos que ando percebendo.

Lembrando que esse time proposto no ano passado em dez jogos não venceu nenhum, conquistando apenas 2 pontos.

Repito, não acredito que isso se crie.

MATHEUS HENRIQUE

Nessa frigideira com pouca banha que virou o time de transição alguns guris da base estão se queimando. Hoje, o que mais aparece com condições de subir e até brigar por um lugar no time titular é Matheus Henrique. Depois, ou ao lado dele, o Jean Pyerre.

Os demais estão sendo fritos em pouca banha, conforme previ que aconteceria se não houvesse uma troca de comando no time.

Duvido que com Renato essa gurizada não apresentaria mais regularidade positiva.

Sobre Matheus Henrique, que era conhecido como Matheuzinho, é preocupante o fato de que ele, há três anos, foi dispensado. Ainda bem que foi trazido de volta. Ele estava no São Caetano

Importante saber quem foi o gênio que o dispensou e, principalmente, que foi o responsável por trazer esse talento de volta.

PADRINHO

Outra questão, quem é o padrinho do técnico César Bueno, que hoje culpou o campo sintético pela derrota.

JUIZ

O segundo gol do Zequinha foi marcado por um jogador que estava em posição de impedimento. Um lance difícil para o bandeirinha. Mas de novo temos ‘na dúvida contra o Grêmio’. E assim vai o Noveletão.