O show já terminou, vamos voltar à realidade…

A França foi a seleção mais homogênea, do goleiro ao ‘ponta-esquerda’. É inevitável a comparação com o Brasil, digo, com a seleção brasileira.

Os franceses, assim como os belgas, os ingleses, os croatas e mais outras seleções que ficaram pelo caminho, jogaram seguindo uma frase do Nélson Rodrigues: fizeram de suas seleções pátrias de chuteira.

A frase ‘o escrete é a pátria em chuteiras’ já foi adequada para a seleção brasileira numa época em que a seleção era apelidada de canarinho. Faz tempo. Hoje, a seleção parece um fardo, um incômodo, para boa parte dos jogadores brasileiros, principalmente esses que enriqueceram e que se preocupam muito mais com o corte e a cor dos cabelos.

Não sei exatamente quando a seleção foi se perdendo.

Até não acho que faltou empenho ao time, mas se a seleção do Tite – que se acomodou com os resultados positivos anteriores e levou alguns jogadores muito comuns para passear na Rússia – jogou a 100%, sendo bem generoso, ficou nítido que muitos dos outros concorrentes jogavam a 110%, ou seja, com a pátria na ponta das chuteiras. Neste aspecto, nenhuma seleção superou a ucraniana.

Não torci pela Croácia, nem pela França. O título ficaria bem em qualquer um dos dois. Mas, tecnicamente, a França é levemente superior.

Há quem diga que o árbitro deu uma mãozinha. Não concordo. No primeiro gol, foi falta no Griezmann. O croata meteu a perna direita nas pernas do francês. Um lance discutível, mas para mim houve infração.

No lance do pênalti, ficou claro que o croata fez um movimento para interceptar a bola. Houve intenção. E mesmo sem intenção deveria ser pênalti, como todos nós já vimos muitas vezes. Há abundância de exemplos, alguns contra o Grêmio. Nunca esqueço aqueles dois pênaltis contra o Cruzeirinho a favor do Inter…

O VAR mostrou sua utilidade mais uma vez. O juiz argentino foi alertado que deveria conferir o lance. Uma pena que em outros lances o juiz não pediu ou não foi alertado. Insisto, para o VAR ficar melhor, as equipes deveriam ter direito a dois ou três pedidos por jogo.

Bem, na Copa do VAR, o título foi carimbado com um lance marcado por esse novo mecanismo, que chegou para ficar, mas precisa ser aperfeiçoado.

MODRIC

O craque da Copa é um dos que suaram para vencer o Grêmio desfalcado na decisão do Mundial. Estava em campo defendendo o ‘pior Real Madrid dos últimos anos’, como referiu um cronista gaúcho claramente com a intenção de diminuir o tamanho do time espanhol no caso de uma vitória do Grêmio.

ILHA DA FANTASIA

O show já terminou. Vamos voltar à realidade…

Agora é Brasileirão. Curioso para ver como volta o Grêmio depois dessa parada, de lesões que assustam e sem Arthur.

Preocupado.

COPÔMETRO

Não sei como se mede se uma Copa foi melhor que a outra. Pra mim, todas são muito parecidas. Todas têm seus problemas, seus jogos ruins, ou grandes espetáculos.

O que mais me chama a atenção nesta edição é que os jogadores diferenciados já não fazem tanta diferença. As equipes dos três melhores do mundo foram embora mais cedo, o que com certeza tirou um pouco do brilho da competição.

Restaram aquelas seleções que contam com dois ou três jogadores de alto nível, mas não craques, e que se adaptam ao esquema do time, não tentam brilhar mais que os companheiros, são solidários e aguerridos.

Esta é a grande lição da Copa: com o avanço da preparação física o futebol está se tornando cada vez mais um esporte coletivo, no qual as individualidades aparecem pouco, mas ainda sendo, muitas vezes, decisivas.

TREINADOR

Depois de matutar durante longos 40 segundos, cheguei à conclusão que o Brasil precisa de um técnico estrangeiro. Alguém que imponha esse futebol total praticado, por exemplo, pelos finalistas.

Qualquer brasileiro que assumir, se Tite sair, vai ser dominado pelas estrelinhas brasileiras, e otras cositas mas.

ILHA DA FANTASIA

Como canta Roberto Carlos, o show já terminou. Vamos voltar à realidade…

Agora é Brasileirão. Curioso para ver como volta o Grêmio depois dessa parada, de lesões que assustam e sem Arthur.

Preocupado.

BASE

Assustado. Foi assim que fiquei quando vi o time sub-20 ser batido pelo Inter e perder o título em casa.

Agora entendi por que não sai zagueiro da base gremista. Triste.

O melhor da Bélgica continua sendo a cerveja e o chocolate

Como eu ia dizendo, a Bélgica é apenas um time médio, bem organizado e com dois ou três jogadores diferenciados. Entre eles, o espetacular goleiro de 1m99, o Courtois, principal responsável pela eliminação da seleção ovelheira do Tite.

Em 1986 os belgas apresentaram um futebol mais vistoso, até empolgante, mas caíram nas semifinais, como agora. Só que desta vez não chegou a encantar, pelo menos a mim.

A Bélgica chegou ao seu limite. Poderia vencer a França, claro, ainda mais se contasse com um gol de bola parada no começo, como aconteceu no confronto com o Brasil.

Os belgas usaram a mesma estratégia. Marcação sob pressão, na saída de bola, para achar um gol. Achando o gol, recuaria e trataria de jogar no erro do adversário, no contra-ataque. Contra o Brasil deu certo.

Desta vez, quem achou o gol foi a França, também num lance de bola parada, aos 5 minutos do segundo tempo.

Talvez um dia a Bélgica chegue a disputar uma final, mas acho difícil. O melhor da Bélgica continua sendo a cerveja e o chocolate. Não o futebol.

Final de Copa do Mundo é para tubarões, é briga de cachorro grande.

Por isso, desde já aposto na Inglaterra batendo a Croácia. Se acontecer o contrário ficarei muito surpreso.

Vai dar França x Inglaterra. Favorito: França. Jogaço.

 

Brasil eliminado por uma equipe inferior, mas com grande goleiro

A seleção brasileira foi eliminada por uma equipe média, bem organizada e com uns dois ou três jogadores talentosos, a começar pelo goleiro.

Courtois levou o time belga nas costas.  Fosse outro goleiro, um tantinho inferior, o Brasil teria eliminado a Bélgica.

Sim, faltou pontaria em algumas conclusões do ataque brasileiro, mas em outras apareceu esse goleiro fenomenal.

Não sou um torcedor da seleção. Pra mim tanto faz, mas fico irritado com injustiças. O Brasil não merecia ser eliminado.

Vejo que tem muita gente fazendo terra arrasada, os mesmos que horas atrás não viam defeitos no time armado por Tite.

Os duros críticos do empate com a Suíça mudaram o tom com os resultados positivos que foram surgindo, em especial após a vitória sobre o México, festejado por ter eliminado a Alemanha, mas que não passa de outra seleção mequetréfe.

Bem, agora esses que nunca perdem e tudo sabem, deitam cátedra. Eu mesmo acho que Luan e Arthur poderiam ajudar o time, mas ao contrário de alguns, ou muitos, não tenho absoluta certeza disso.

A causa maior da eliminação brasileira para um time inferior – e isso não é raro em mata-mata, nem sempre o melhor se classifica – foi a Bélgica ter achado aquele gol na cobrança de escanteio, e que Fernandinho teve a infelicidade de mandar para a rede.

Logo o Fernandinho, um reserva que só saiu jogando porque o titular, Casemiro, não tinha condições de jogo. Tenho pra mim que esse jogador ficou abalado, porque errou acima da média, e se trata de um volante muito bom.

Então, temos o gol belga, o time menor. Esse gol mudou a história do jogo, porque os jogadores brasileiros foram para cima decididos a empatar logo. Foi o grande erro. Abriu-se um clarão no setor defensivo. A Bélgica aproveitou-se disso e fez 2 a 0.

Olha, é raro ver a seleção brasileira sair perdendo por 2 a 0. Por isso, começou a passar em minha mente cenas dos 7 a 1. Passei a acreditar numa goleada. E a goleada teria acontecido se a Bélgica tivesse mais qualidade.

Não sei se os jogadores em campo não tiveram o mesmo sentimento, o temor de uma goleada, da repetição do vexame de 2014. Percebi semblantes assustados no time brasileiro.

No segundo tempo, vi um Brasil mais seguro, atacando, fustigando, e a Bélgica encurralada, formando um cinturão humano diante de sua área. Mesmo assim, pela técnica superior, muitas situações de gol foram criadas.

Do outro lado, o goleiro Alisson não foi exigido. Foi quase um espectador, prova da superioridade brasileira.

A entrada de Douglas Costa foi um sopro de talento, ousadia e eficiência. O guri gremista acertou todos os lances, e por pouco não fez o seu gol.

Mas sofreu um pênalti que o juiz não marcou, e ainda por cima, do alto de sua soberba, recusou o VAR. É aquilo que eu digo, enquanto a decisão de chamar o VAR pertencer apenas ao juiz, sem que a parte que se considera prejudicada seja ouvida, veremos muitas injustiças, como essa e outras que vimos no Mundial.

Sobre Neymar, leio e ouço muitas críticas. Não concordo com elas. Neymar tentou de todas as formas, fez boas jogadas, lutou e assumiu a responsabilidade, até por se tratar do melhor do time.

Agora, Neymar, assim como Messi e Cristiano Ronaldo, não joga sozinho, não tem condições de resolver um jogo se não tiver parceria. E mesmo quando tem essa parceria de boa qualidade, sempre há o risco de aparecer um goleiro como esse belga, que foi fundamental para mandar a seleção do Tite de volta mais cedo para casa.

Se bem que a maioria fica ali pela Europa e adjacências.

Adeus ao nosso Iniesta

Não me lembro de um jogador do Grêmio sair do quase anonimato ao estrelato em tão pouco tempo.

Ascensão meteórica. Em menos de um ano, ele saiu do banco de reservas para ajudar na conquista da Copa do Brasil, exibindo um futebol que lembrou a todos o de Iniesta.

Mas lembrou tanto que o Barcelona não demorou a perceber que ali estava o sucessor do seu talentoso meia.

Aos 21 anos, Arthur está atingindo o ápice na carreira. Ninguém tem dúvida de que não fosse uma lesão antes da decisão contra o Real Madrid, ele não só ajudaria o Grêmio a conquistar o bi mundial, como encaminharia sua convocação para a Copa do Mundo.

Pois bem, Arthur está indo embora. Vai alguns meses antes do prazo, desfalca o time neste semestre gordo de competições. Uma pena, mas não existe clube brasileiro, ou das Américas, que poderia resistir ao volume de dinheiro que o Grêmio está arrecadando ao ceder seu passe com antecedência, em troca de mais dinheiros.

Evito falar em números expostos pela imprensa, por que não são nada confiáveis. Mas não fogem muito da realidade, imagino.

Espero que o dinheiro – algo em torno de 30 milhões de euros – seja aplicados em reforços para o time e também para reduzir a dívida bancária do clube, que, segundo se comenta, gera juros de R$ 20 milhões de reais por semestre. Claro, não ponho a mão no fogo por esse dado.

Tem gente criticando o presidente Romildo, mas penso que realmente ele não tem outra saída a não ser liberar agora o ‘nosso Iniesta’.

Aos que choramingam muito, um consolo: ninguém é insubstituível.

Bem, só me resta agradecer ao Arthur por tornar o futebol mais bonito e desejar-lhe boa sorte.

COPA DO MUNDO

Aposto todas as minhas fichas no time do Tite. A Bélgica não vai dar pra largada.

Mas é só um palpite, porque não vi a Bélgica jogar. Meu palpite se deve ao histórico dos belgas. Esses não me enganam mais.

 

Brasil perto do título na Copa do VAR

O Brasil se encaminha para ser campeão do Copa do VAR. Depois que caíram Alemanha e Argentina, não vejo mais ninguém capaz de evitar o título, o hexa brasileiro.

Não estou chateado, nem contente. Tanto faz. A saída do Arthur antes do tempo mexe mais comigo, mas também não me faz perder o sono. Há substitutos no grupo, entre eles o jovem Matheus Henrique, de enorme potencial. Dá pra se dizer que é uma cópia do Arthur. Vamos ver se confirma entre os profissionais.

Voltando ao torneio em andamento na Rússia. Primeiro, não me emociona muito.  Estou como observador, e como tal o que busco em cada jogo é a emoção do terço final de cada jogo, onde as coisas acontecem.

O primeiro tempo dos jogos pelo que vi são um tanto chatos, os adversários um com medo do outro, um todo fechado, outro tentando abrir o ferrolho, mas também com medo de levar uma bola às costas.

Já o segundo tempo, de um modo geral, fica mais interessante. Quem assiste só os 10 ou 15 minutos finais é que está certo. É ali que as coisas acontecem.

Nesse jogo contra o México (incrível, tinha gente acreditando no esforçado time mexicano), ali pela metade do primeiro tempo, vaticinei que o México não conseguir manter aquela pressão na saída de bola, uma pressão que deu alguns sustos aos torcedores brasileiros, mas não o suficiente para mexer com um fio de cabelo do goleiro Alisson.

Antes do segundo tempo os mexicanos já abriam as pernas. No início do segundo, o gol de Neymar, o craque do jogo. Depois, Firmino,  que mal havia entrado, fez o segundo. Foi um vareio do Brasil.

O México escapou de ser goleado. Tenho de reconhecer, o Brasil é o melhor desta Copa. A Bélgica, que iludiu uns e outros, quase foi eliminada pelo Japão, o Japão, vejam só.

Não vi o jogo, nem tenho ideia de como foi. Mas vou me informar e volto a comentar aqui.

Observação: meu computado pifou faz alguns dias. Hoje arrumei outro para poder fazer esse comentário antes que ocupem meu espaço.

Emergentes crescem e assustam as seleções mais poderosas

A geografia do futebol está mudando. Itália sequer entrou no Mundial. E agora a Alemanha é eliminada porque caiu diante do México, o mesmo que levou 3 a 0 da Suécia, e não conseguiu um mísero empate diante da Coréia do Sul. Vexame pior que esse dos atuais campeões só o Brasil com aqueles humilhantes 7 a 1.

Se a Coréia do Sul conseguiu fazer 2 a 0 na Alemanha (o segundo gol foi fruto de desespero do goleiro alemão), tudo pode acontecer. Até uma Bélgica, festejada por muitos, pode ser campeã.

Com os papões de títulos e seus jogadores milionários parecendo enfastiados diante da garra e da volúpia dos pequenos, tudo pode acontecer.

Mas ainda acho que não será desta vez que uma seleção emergente dará a volta a olímpica.

Ainda abalado com a eliminação da Alemanha, aposto minhas fichas na Espanha, que parece estar escondendo o jogo; no Brasil, que tem jogadores talentosos na frente; e na Argentina, que tem potencial para crescer na reta de chegada.

Gostaria que o Uruguai chegasse, mas acho difícil. Vou torcer pelos hermanos, que já estiveram no pelotão de frente do futebol mundial. Mas isso faz tempo.

TOQUE-TOQUE

A Alemanha perdeu porque não teve um abridor de latas na frente. Não apareceu um jogador para tentar o drible, a jogada individual pra cima dos coreanos.

A Alemanha não teve um Éverton. Antes foi o Pedro Rocha. O time alemão tocou a bola de um lado para o outro diante da área sem encontrar soluções para chegar ao gol, apesar da insistência.

O time alemão me lembrou o Grêmio sem Éverton. A bola girando de um lado para o outro. Ah, sem um Maicon para dar aquela metida, ou um Luan para abrir um clarão na retranca coreana.

A seleção alemão foi burocrata demais, não por opção, mas por falta de criatividade na frente. É o que sobra no Brasil.

A Alemanha terá de passar por um processo de reconstrução. Virá muito mais forte dentro de quatro anos, não tenho dúvida disso.

SÉRVIA E A EMOÇÃO

O Brasil mereceu a vitória, mas a Sérvia mostrou que o sistema defensivo armado por Tite é muito vulnerável. No segundo tempo, perdendo por 1 a 0, a Sérvia foi pra cima e chegou com extrema facilidade à área e por pouco não fez uns dois ou três gols.

É claro que o Brasil criou muito mais, mas ficou claro que se Tite não reforçar a marcação não sobreviverá diante de adversários que sabem aproveitar as chances de gol que criam.

Tite deu uma melhorada nesse aspecto ao colocar Fernandinho para reforçar a marcação e acabar com a alegria do time servo.

Contra o México, acredito que será um passeio. O caldo vai engrossar somente na outra fase.

Se o Tite conseguir reforçar o sistema defensivo, penso que o Brasil passará a ter grandes chances de título.

Eu, fico aqui de sangue doce (como diria o Lauro Quadros), sem torcer realmente, mas curtindo o principal: a emoção desses jogos fantásticos.

O VAR e seu primeiro subproduto: o árbitro cagão

Não tem pra Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar e outros dessa linhagem dos craques, quase tão raros quanto a Arara Azul.

A estrela da Copa é o VAR (Video Assistant Referee), o tal árbitro assistente de vídeo.

Sua aplicação na primeira rodada chegou a empolgar muita gente, mas há muito o que melhorar para que o sistema consiga uma redução significativa de erros de arbitragem. Redução plena, esqueçam.

Quero deixar muito claro que sou a favor do VAR, que chegou pra ficar, não tenho dúvida disso.

Mas sigo defendendo que as equipes, talvez através do treinador e/ou do capitão, deveriam participar de decisões tão importantes.

Não podemos deixar tudo sempre nas mãos ou no apito do árbitro de campo, que fica com o poder de chamar ou não o VAR, como aconteceu na estreia do Brasil, e depois em vários outros jogos.

É impressionante o número de reclamações contra o sistema que a Fifa está implantando. Quer dizer, o chororô continua como antes.u

Repito: essa situação só irá mudar quando não for apenas o quadro da árbitros a pedir o VAR.

O VAR mal começou e já está gerando um subproduto: o árbitro cagão. Que vem a ser aquele que vai aproveitar o VAR para nada mais decidir sem consultar o sistema. Vimos um hoje em Portugal x Irã.

Não vou comentar os erros já cometidos, mesmo consultando o VAR, e isso é muito grave. Mesmo com o VAR foram cometidas injustiças.

E isso nunca será extirpado. O erro vai continuar acontecendo, em menor quantidade,mas sempre haverá decisões equivocadas, por incompetência, covardia ou desonestidade mesmo.

Espero que a Fifa tenha humildade de fazer os ajustes necessários para que o VAR funcione melhor, e atenda minimamente as expectativas daqueles que acreditam que o sistema signifique o fim dos erros e das injustiças no futebol.

BALOY

A nação gremista, ao menos a mais atenta, está indignada com a forma como a imprensa local tratou o gol histórico de Baloy. O blog cornetadorw mostrou como o assunto foi abordado por jornais de outros Estados, enaltecendo o feito do jogador e citando que ele passou pelo Grêmio e Atlético PR. Já aqui o tratamento foi desrespeitoso ao clube, e também ao próprio jogador. Não há nenhum sentido em relacionar Baloy com o ‘pior  Grêmio da história’. Provocação pura. Deu resultado, porque o troco está sendo pesado.

O pessoal de jornal precisa entender que passou o tempo em que os leitores só podiam reclamar pelo telefone. Com as redes sociais, os protestos atingem uma amplitude imensurável, ilimitada.

Seleção sofre, mas avança na Copa do VAR

O Brasil pressionou tanto no segundo tempo – com o gremistão Douglas  Costa arrasando pela direita – e criou tantas situações de gol, que me surpreendi, perto dos acréscimos, desejando um golzinho verde-amarelo. O empate seria muito injusto, pensava eu entre um gole e outro de chimarrão, naquele momento em que milhões de brasileiros sofriam diante da TV.

É o tipo do jogo que onde passa o boi, passa uma boiada. Em cinco minutos o Brasil saiu do fundo do poço das lamentações ao pódio da esperança.

Com o perdão da palavra, a seleção levou um cagaço. Meu lado sádico é ver torcedor da seleção sofrendo. Detesto quando o Brasil faz gol no início e vence sem maiores atropelos. Agora, vencer assim com gols nos acréscimos é um deleite.

Na verdade, eu não me incomodo que o Brasil avance e até dispute a final. Dá mais tempero à secação. Só não quero o título, e aí eu seco. Mas se der Brasil, não perco meu sono.

Agora, pelo que fez nos dois jogos, a seleção de Tite não vai muito longe.

Se a Costa Rica, uma seleção menor, conseguiu resistir 90 minutos sem levar gol, contra a Croácia, por exemplo, será muito mais difícil.

Vejo o time montado por Tite muito dependente de individualidades. Não aparece um esquema bem estruturado, com funções bem definidas para alguns jogadores. Não há uma bola trabalhada no meio de campo.

Falta ao time um jogador como Luan, o melhor seria o próprio. Falta um articulador, que atue entre linhas, como diz o Tite. Alguém que municie o ataque com uma bola enfiada, deixando o atacante na cara do goleiro.

Por outro lado, quando a bola é recuperada pelo adversário, vejo a defesa muito frágil, sem uma marcação forte, e com muito espaço a ser explorado.

Tudo indica que Tite vai pagar o preço da soberba somado ao seu apreço por manter as ovelhinhas que o acompanham há mais tempo, embora pouco tenham contribuído verdadeiramente.

VAR

O VAR prejudicou o Brasil duas vezes.

Na primeira, contra a Suíça, no gol faltoso, que o juiz assinalou e se recusou a rever. Ele teria visto o empurrão nas costas do Miranda.

Tem ainda o lance discutível do Gabriel Jesus.

Na segunda vez, quando Neymar encenou uma falta e levou o juiz a marcar pênalti. Neste caso, o juiz, que estava errando feio, apelou para o VAR. Pênalti anulado.

O VAR é muito bom, mas não pode ficar dependente de uma iniciativa do juiz. Desequilibra a competição.

O certo seria o capitão do time também fazer um ou dois pedidos por jogo. Ajudaria a reduzir o poder desses árbitros que estão se revelando, de um modo geral, muito ruins. E isso graças ao VAR.

 

Marinho, Alisson e a Copa que ainda não tem favorito

Terminados os jogos da primeira rodada e já avançando para a segunda, é inevitável concluir que não apareceu um favorito retumbante ao título da Copa do Mundo.

Nenhuma seleção me convenceu. Hoje, parei para assistir a Portugal e Marrocos. Realmente, Portugal é Cristiano Ronaldo e dez jogadores medianos. Portugal pariu uma vitória, com gol do CR aos 4 minutos, porque na realidade não merecia mais que um empate, e olhe lá.

Não vi a Inglaterra, mas deve ser aquela coisa de sempre, um futebol forte, vigoro e pouca criatividade. Aliás, as grandes potências estão assim, praticando um futebol de muita aplicação tática, muito preparo físico e um jogo pouco inspirado.

Os favoritos são os de sempre. Falam maravilhas da Bélgica, que tem uma geração de ouro, blá-blá-blá. As pessoas vivem buscando um novo carrossel holandês. É o mesmo que eu esperar por um Garrincha, um Pelé.

A Bélgica vai morrer na praia como sempre.

Se eu tivesse que apostar, jogaria todas as minhas fichas na Alemanha, apesar da estreia decepcionante. Meu segundo favorito é a Espanha.

O Brasil aparece em terceiro. Tem gente preocupada com o empate diante da Suíça. Olha, o Brasil foi muito superior. O problema é que não aproveitou as chances criadas.

Só não aposto mais na seleção do Tite porque não vejo na maioria dos jogadores comprometimento com a equipe, com o país, com a torcida. Aliás, é o que tem acontecido nas últimas Copas.

Outra coisa, estamos vendo seleções vencendo com uma ou duas chances de gol, jogando uma bolinha muito mais ou menos.

Aliás, a primeira rodada, onde há o confronto de grandes seleções contra as menores, engana muito, porque temos de um lado uma equipe que ataca e outra que se defende e explora contra-ataques.

Tipo Grêmio x Inter, sem direito ao VAR para marcar os três pênaltis.

Com o equilíbrio de forças nos duelos dos favoritos de sempre, a verdade de cada um aparece.

MARINHO

Grande contratação. É uma alternativa ao Éverton e ao Ramiro. Pode até acabar titular. Exímio batedor de falta.

Só ficou uma pulga atrás da orelha. Ele vem para suprir uma eventual saída do Éverton? Espero que não. Gostaria de ver um ataque com os dois nas extremas. E quem sabe o Ramiro na lateral. O melhor seria contratar um lateral-direito para disputar com Léo Moura.

IMPRENSA

É impressionante! O site clicrbs anuncia com destaque a possível contratação de Marinho. Notícia boa para a torcida gremista.

Para consolar os colorados, outra chamada, dentro do espírito da agenda positiva:

Inter terá direito a parte da venda do jogador.

Sem comentários.

ALISSON

Imprensa do centro do país, pelo menos a maior parte, critica Alisson por não ter saído para soquear a bola que ficou a menos de dois metros dele, com o suíço cabeceando no meio da pequena área, onde a bola, como se sabe desde sempre, é do goleiro.

O gol pelo jeito fez o Real Madrid desistir do ex-goleiro colorado. Com isso, cessaram as contas de quanto o Inter levaria numa eventual transação desse porte.

Os erros que determinaram o empate da Seleção

Começo com uma confissão: sou secador juramentado da seleção. Teve alguns momentos na vida em que eu torci muito, como na Copa de 70. Mas eu era guri, acreditava em muita coisa, tinha a pureza no coração.

O tempo faz isso com a gente, além de danificar algumas peças internas e nos impor rugas, nos torna duros, críticos demais, descrentes, amargos como underberg com limão.

Quando estou em família, eu não seco, fico em silêncio e se o Brasil perde um gol eu faço um breve comentário – gelado como o nosso clima por esses dias – consolador, tipo ‘foi por pouco, na próxima entra’. Faço um olhar compungido

Nesse jogo contra a Suíça nem cheguei a secar. Não vou perder meu tempo e minha energia secando um timeco de segunda linha no futebol mundial. É como secar o Inter contra o Ceará, perda de tempo. Às vezes até que não.

Fui um mero telespectador, um dos ‘amigos da Rede Globo’, como diz o Galvão Bueno. Antes que me xinguem, adianto que gosto das narrações ufanistas do Galvão. Quando mais ufanistas, melhor. Elas reforçam o meu desprezo por todo esse circo verde-amarelo.

Não me perguntem quando foi que eu comecei a secar a Seleção. Não tenho muita certeza. Acho que foi em 1974, quando convocaram o Valdomiro – jogador operário, eficiente, mas sem condições de honrar a camisa que foi de Garrincha. Fiquei muito irritado. Queria também o Zico, que surgia com brilho no Flamengo do gaúcho Carlos Froner, e foi esquecido por Zagalo.

Ah, nunca gostei do Zagalo. Outro motivo para secar a seleção em outras Copas. Em 2002 fiz uma pausa por causa do Felipão, e apesar do boleiro aquele. Não sequei, mas também não fui daqueles torcedores que soltam a franga e abraçam como se tivessem acabado de receber um aumento generoso de salário ou uma promoção.

Comecei a trabalhar em 1978, na Folha da Tarde. Minha primeira Copa como jornalista, portanto, foi em 1982. Quero dizer que sequei, discretamente, mas sequei.

Antes de falar do jogo deste domingo, faço uma pequena ressalva: eu seco, mas sem fanatismo. Não é como secar o Inter, muito mais divertido. É uma secada que sai no automático essa que eu faço nos jogos da seleção.

Estranho, o Tite – o técnico que eu queria vitalício no Grêmio, antes de aparecer Renato – seria um motivo forte para eu dar uma torcidinha. Não consigo. Estou pensando em consultar um psicanalista.

O JOGO

Sobre o jogo: aconteceu mais ou menos o que previa: muita dificuldade. Foi assim com a Alemanha, a Argentina, a França. Primeira rodada da Copa é propícia a essas zebras, que cada vez mais vão deixando de ser zebras porque há um nivelamento crescente no futebol.

A seleção do Tite foi melhor e merecia vencer, mas ficou longe de mostrar o futebol ‘maravilhoso’ cantado em prosa e verso pelos faceiros de plantão antes do jogo, talvez até para agradar seus anunciantes, que eles não estão jogando dinheiro pela janela, etc. O empate foi até um castigo pelo que fez o time em campo.

Leio e ouço muitas críticas ao juiz mexicano por não ter marcado falta no zagueiro Miranda. Foi falta, falta que deveria ser marcada na hora – afinal, pra que serve esse monte de juizinhos?

Eu sou secador, mas não estou aqui para mascarar o que penso. E estou bem de visão.

ERROS

Agora, o grande erro no lance foi do goleiro. Ele ficou estático, petrificado embaixo do travessão. Se desse dois passos, poderia soquear a bola com facilidade, porque não havia um aglomero na disputa entre o suíço e o Miranda, visivelmente empurrado nas costas.

Errou o juiz, mas foi por ruindade mesmo. Curioso, o Brasil que sempre foi o queridinho das arbitragens sendo prejudicado. O mundo está mesmo mudando. Mas haverá compensações, aguardem.

Esse juiz mexicano mostrou sua incompetência logo nos primeiros minutos quando Neymar foi puxado de forma escandalosa no meio de campo quando se livrava de um marcador. O suíço sequer levou o amarelo, apenas uma advertência ao pé do ouvido do juiz Chapolim Colorado, algo assim: “Não faz mais isso, que é feio”. Como seria em espanhol?

Agora, no lance do suposto pênalti no Gabriel Jesus, depois de ver pela segunda vez, afirmo que foi lance normal, aquele agarra-agarra tradiconal. Gabriel se atirou. Então, vamos parar com essa choradeira.

Em resumo, ojuiz errou no lance do gol e acertou no do suposto pênalti. Nem preciso enfatizar que essa é minha opinião, porque sou que estou escrevendo com os dedos virando pequenos picolés.

VAR

A ideia do VAR é muito boa, mas nunca será o que dele se espera: o fim das injustiças no futebol.

Onde tem o olho humano, é impossível haver justiça plena.

O VAR já mostrou sua importância nesta Copa, mas também apontou que os problemas vão continuar, em menor escala, mas vão continuar.

No gol de Zuber, o VAR evitaria o erro se fosse utilizado pelo juiz. Vira e mexe, é o homem decidindo, não a máquina. Poderia ser diferente? Talvez algum dia, não agora.