A gurizada pedindo passagem

Escrevi que o jogo contra o Pelotas não valia nada. Deveria ter ressalvado que serviria ao menos para conferir melhor alguns jogadores, e não apenas a gurizada, mas também Montoya e outros.

Além de reafirmar a liderança isolada do regional com os 2 a 0 na Boca do Lobo, um local sempre difícil de jogar, o jogo serviu basicamente para revelar (ao menos para mim) que Thaciano pode ser titular, basta que o técnico Renato abra sua mente, esqueça tudo o que ‘aprendeu’ no curso da CBF e invista mais nesse volante de múltiplas funções e de forte personalidade, um jogador que não se intimidade, como já foi visto em outras oportunidades.

Faltava a Thaciano uma atuação exuberante como essa de quarta-feira. Antes de ele fazer o gol (na verdade um golaço) eu refletia, entusiasmado com o futebol desse jovem destemido e desassombrado. Com o gol, então, fiquei eufórico.

Vejo em Thaciano condições de ser o primeiro volante, com a vantagem de ele chegar com facilidade ao ataque; pode ser também como segundo volante; e principalmente executando a função de Ramiro.

Olha a gente aqui discutindo alternativas para substituição de Ramiro, que muitos que conheço gostariam de ver fora do time e que vibraram com sua saída. Perdoai-os Senhor…

Thaciano tem a aplicação tática do ex-titular, marca forte e aparece como elemento surpresa na frente. Sem contar, que tem porte físico maior, inclusive para a bola aérea defensiva e ofensiva.

Eu se fosse Renato já colocaria Thaciano nessa função contra o Juventude, domingo, 16h, no Jaconi.

Se Thaciano me anima e me dá esperanças de um meio de campo mais forte e combativo, Montoya é só decepção. Primeiro, ele me parece desinteressado, parece que o jogo não é com ele. Toca a bola como um escriturário aplica o carimbo.

Teoricamente, Montoya foi contratado para jogar na de Ramiro. Mas até o momento não mostrou nada que justifique sua escalação. Está em adaptação, dizem. A gente percebe que ele tem qualidades, mas o que mostrou até agora foi pouco. Está devendo.

Por fim, bonita a jogada do segundo gol. Thaciano, Jean Pyerre (de ótima atuação), Alisson (dispensa maiores comentários), Pepê e Thony Anderson. Uma blitz de cinco gremistas contra dois zagueiros. A bola foi rolada por Jean Pyerre, que encontro Thony livre para fazer 2 a 0.

Destacando ainda Matheus Henrique, que a cada jogo adquire mais maturidade e confiança. Ele pode jogar na de Maicon ou, com mais urgência, poderia ser testado na função antes exercida por Ramiro.

Opções existe. Vamos ver o que Renato vai fazer diante de tantas alternativas e possibilidades táticas.

GALLARDO

Depois de 3 anos, ele voltou. Jogador mediano, bom para compor o grupo.

Resta saber por que o Grêmio não faz o mesmo em relação a um zagueiro, que pode ser mediano, tipo nota 7, mas que seja eficiente e seguro.

Pelo jeito o pessoal curte improvisações na zaga e viver fortes emoções.

HOMENAGEM

Com atraso, registro aqui a passagem para outro nível de um querido amigo, o Jornalista (assim com jota maiúsculo) Raul Rubenich. Foi no mês passado que ele nos deixou. Gremistão dos maiores e um especialista em política internacional (atuou durante anos nessa editoria nos jornais Correio do Povo e Zero Hora).

Descanse em paz, amigo.

HOMENAGEM ll

Segunda-feira será inaugurada a estátua do Renato. Será cobrado um quilo de alimento não perecível para quem quiser participar.

Há boatos de que até o Pedro de Lara, um gremista rabugento, admirador do Joel Santana, estará presente. Outro que está sendo esperado é o Francisco, que vai deixar sua Recife para comparecer e prestigiar o ato. Dizem que ele irá, enfim, fazer um elogio ao Renato.

Amanhã citarei outros nomes desses ‘passageiros da kombi’.

A zaga e o erro do ano passado

É um jogo que não vale nada, tanto quanto uma cédula de 3 reais (ao menos para o Grêmio), mas poderia ser um decisivo, como aquele contra o River Plate, quando na hora ‘h’ só havia Bressan de zagueiro.

Passei o ano todo cobrando a contratação de mais um zagueiro. Nada mudou. Estou eu aqui, ao lado de muitos do blog, implorando por um zagueiro que possa substituir Geromel e Kannemann sem maiores sustos e sobressaltos.

O último de bom nível é Paulo Miranda, contratado na gestão do Ico Roman. Quer dizer, faz tempo.

Apostar as fichas em Marcelo Oliveira, por melhor que seja sua participação como liderança positiva, é desafiar os deuses do futebol, mesmo aqueles que costumam olhar para o tricolor com carinho.

Por sorte, os três zagueiros de alto nível está indisponíveis num jogo que só interessa ao Pelotas. O Grêmio já está classificado, inclusive em primeiro lugar.

O Grêmio vai com Marcelo Oliveira de zagueiro, o que já é uma improvisação, e com um volante na zaga. Aí, eu pergunto: não tem alguém na base para uma emergência como essa?

Aliás, faz horas que não aparece um zagueiro competente oriundo das categoriais de base.

Espero que a direção entenda essa situação como um sinal de que precisa contratar, urgentemente, um zagueiro de bom nível. O ano é longo, os jogos quase se sobrepõem (a FGF está agora tentando alterar datas de dois jogos do clube na Libertadores).

Confira: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/eduardo-gabardo/noticia/2019/03/fgf-aciona-conmebol-para-tentar-resolver-problema-de-calendario-do-gremio-cjtfzebu204o401uj76xy2cor.html

O mínimo que eu espero que a direção, de tantos acertos, tenha aprendido a lição e não repita o erro do ano passado.

Gre-Nal do ‘medo’ vencido pelo melhor

Na véspera do jogo, escrevi que o Gre-Nal seria do ‘medo’, não de ‘protesto’ conforme manchete do jornal ZH, valorizando um suposto atrito entre Inter e sua federação.

Bem, o Grêmio reforçou essa definição ao escalar seu time reserva, inclusive com um goleiro inexperiente, o jovem Breno, uma temeridade. Mas o guri se saiu muito bem.

Agora, os medos se justificam. O Inter temia desestabilizar seu time titular, de boa campanha na Libertadores, correndo risco de ser goleado.

Já o Grêmio, aproveitando que uma virose afastaria dois ou três titulares, tratou de preservar sua equipe principal com medo de lesões, o que é também justificável até pela presença do sr Daronco, aquele que deixou passar em branco a cotovelada assassina de William.

Essa decisão foi sensata, mas frustrante. A Arena quase lotou porque a torcida gremista queria ver uma goleada do seu time titular. O pessoal que veio do Interior acabou pagando caro por um clássico de segunda linha. Aliás, um clássico digno desse noveletão.

Sobre o jogo, que foi parelho, extraio o que mais me agradou: a atuação de Matheus Henrique. Se havia alguma dúvida sobre a capacidade desse jogador, ela se dissipou completamente. Descortina-se ali mais uma pedra preciosa. Merece ser titular já partir do próximo jogo da Libertadores.

Outro resultado do clássico: Leonardo. Ele desabrochou no Gre-Nal, dentro da minha ótica (estou em dia com meu oftalmo). A jogada do seu gol foi por ele construída dentro do padrão de um jogador que admiro muito, o Léo Moura.

Por segundos, ele foi o Léo Moura com força, arranque, técnica e inteligência. Como uma peça se movimentando no tabuleiro de xadrez, ele desenhou a jogada, adivinhando que ela terminaria na cara do goleiro.

Tocou para Montoya (que ainda está devendo), que escorou para Leonardo, que passou para André, que está mostrando ser bom de assistência. Leonardo recebeu na frente e chutou na saída do goleiro.

Foi uma vitória justa pelo que o time reserva fez no primeiro tempo. Frustrante foi não aproveitar que o adversário ficou com um jogador a menos durante quase uma hora para aumentar a vantagem. O Inter até foi superior no segundo tempo.

A expulsão de Nonato prejudicou o time colorado, claro, mas foi corretíssima. Ele fez uma falta forte sobre MH (já era para ser expulso ali), e no minuto seguinte puxou MH. Como tinha um amarelo anterior, foi para o vestiário mais cedo.

O curioso é que os dois jogaram juntos no São Caetano. Nonato é considerado uma peça de ouro no Beira-Rio. Pelo que vi no clássico, está mais para pirita, pedra conhecida como ouro de tolo.

RENATO

Mesmo aqueles que não gostam do Renato – lotam uma kombi apenas, mas são atuantes -devem ter gostado de sua resposta ao narrador Pedro Ernesto, que foi fazer gracinha sobre a virose que acometeu profissionais do clube.

PE retrucou escrevendo que era uma brincadeira e que torcia por Renato na Libertadores. Uma alfineta que por certo será respondida em algum momento pelo técnico gremista.

Gre-Nal não é de ‘protesto’, é do medo

O Inter usa o aumento da punição de seu destaque, Nico Lopez, como pretexto para anunciar que jogará com reservas o Gre-Nal. Depois, dá uma de vítima perante à sua grande parceira, a FGF, enquanto o conselheiro Noveletto revela que ajuda o time ao dizer que antecipou verbas ao clube. Sobre outras eventuais ajudas, silêncio.

Há quem suponha que é uma ‘briga’ armada para enganar os incautos. Espero que o resultado dessa ‘briga’ não influencie no resultado e na atuação do juiz, o turbinado Daronco.

Um circo parece estar sendo montado para o jogo deste domingo, 19h, na Arena.

Antes de qualquer coisa esse ‘Gre-Nal do protesto’, conforme definiu o jornal ZH dando uma dimensão exagerada para uma suposta bronca entre Inter e FGF (não acredito em conflito entre parceiros), cheira, também, a medo de goleada.

O certo seria uma manchete assim: Gre-Nal do medo.

A derrota do Grêmio para o Libert, sob esse aspecto, foi ruim para o rival deste domingo. O time gremista e seus treinador estão mordidos. Se o Grêmio abrir vantagem, não descansará enquanto não empilhar gols, diferente daquele clássico do ‘arrego’.

Não veremos o técnico Renato pedindo para o time tocar a bola depois de 3 a 0 como já aconteceu.

Agora, não será um jogo fácil. O Grêmio irá com seu time titular (na pior as hipóteses um mistão quente), enquanto o Inter terá um time reserva, mas não descarto um time titular.

Lembro que no jogo de terça, na Arena, ouvi alguns gremistas sussurrando (entre eles, eu) que trocariam a vitória sobre o Libertad por uma vitória sobre o Inter neste domingo.

Espero que os deuses do futebol entendam que fizemos a nossa parte. Perdemos o jogo e agora queremos o retorno, uma gloriosa vitória, porque não tem nada melhor do que festejar título na Goethe e ganhar Gre-Nal. Prioridade para a segunda opção se o título for o regional.

Fórmula vencedora: compactação do meio-campo

A cada derrota ou má atuação, há uma avalanche de sugestões e pitacos sobre mudanças no time, sobrando normalmente para os jogadores principais.

A maioria das críticas tem fundamento, embora algumas pequem pelo excesso, beirando ao clima de terra arrasada.

O Grêmio tem um baita de um grupo, um time principal com alternativas muito boas, algumas até já merecendo a titularidade. É o caso de Matheus Henrique e Jean Pyerre.

Acredito que Renato irá começar o Gre-Nal com pelo menos um dos dois. Se não o fizer será mais um sinal que o cursinho na CBF foi uma aula de conservadorismo, de ideias retrógradas.

Aliás, ao ver a formação do Grêmio na saída de bola desse jogo irritante contra o Libertad, pensei ter recuado no tempo. Década de 70. Havia um 4-3-3 em campo. Ao ver Marinho e Éverton nas extremas, quase pisando a linha lateral, e Vizeu centralizado, juro que lembrei de Tarciso, André e Éder. Confesso que me veio à memória Valdomiro, Dario e Lula.

Fiquei preocupado na hora. O pior é que durante o jogo essa formação ofensiva com 3 atacantes se manteve, e foi iofensiva, ao contrário do que acontecia naquele tempo.

O meio de campo com dois volantes e um meia de articulação teve muita dificuldade para armar jogadas para os ‘dois pontas e o centroavante’. O adversário povoou o meio, marcou forte e de forma inteligente, bloqueando a saída de trás de Maicon e colando em Luan. Sei que tem muita gente queimando esses dois (péssimos gremistas aqueles que vaiaram Luan, prestaram um desserviço e os rivais da aldeia agradecem), mas é preciso considerar que faltou aproximação maior entre meio e ataque.

O Grêmio que me dá saudade é aquele que foi parido na Copa do Brasil de 2016, jogo a jogo. Era um time compactado, que jogava no efeito sanfona, atacante e marcando. Um time que provou ser possível jogar bonito e marcar forte, sem volante para sujar o calção de barro ou cometer faltas sobre faltas.

Era um time que tinha Ramiro voltando e ajudando intensamente na marcação, surgindo de surpresa em lances ofensivos; e tinha Pedro Rocha aplicado, um bengala para Marcelo Oliveira, e arma letal na frente.

Sem esquecer o setor defensivo, porto seguro do time.

A cereja do bolo: Luan e Douglas se revezando como ‘camisa 9’, e Maicon como maestro, ditando o ritmo do time.

Renato pode repetir parcialmente esse esquema, essa fórmula de sucesso, começando por ignorar o que ele ‘desaprendeu’ na CBF.

Minha sugestão de time para o Gre-Nal, 19h, na Arena:

Paulo Victor; Leonardo, Geromel, Kannemann e Bruno Cortês;

(os dois laterais estão destoando, mas é o que tem para o momento)

Michel; Maicon, Matheus Henrique (Jean Pyerre);

Marinho (Diego Tardelli) e Éverton.

ARBITRAGEM

Daronco no apito. Jogo terá VAR, o que em princípio dá mais tranquilidade.

RIVAL

As duas vitórias na Libertadores já deixaram o rival assanhado, sobram provocações. Gosto disso.

O ocaso de um sistema que encantou o país

Saí da Arena, terça à noite, muito irritado com a derrota diante do Libertad. A irritação deu lugar à tristeza, à melancolia. Não sei se o Grêmio será campeão da Libertadores – começo a duvidar muito -, mas de uma coisa tenho certeza: o futebol que encantou o país, e conquistou até a simpatia de rivais, está moribundo.

Não vi nesse jogo contra os paraguaios nenhum resquício, por exemplo, daquele Grêmio que conquistou a Copa do Brasil de 2016 sob o comando de Renato Portaluppi, e depois conquistou a América jogando bola. Sim, esse Grêmio jogava bola, os outros jogavam futebol.

Sinto saudade desse time. Um time que tocava a bola, cansava, irritava os adversários, minava o moral dos jogadores. Por vezes, cansava até a mim, que cobrava lançamentos longos e cruzamentos da linha de futebol, em vez de ficar tramando a bola, costurando uma teia de aranha para golpear e engolir o rival.

Mais títulos só não vieram por essas coisas do futebol. Negociações de jogadores (Arthur) para manter girando a roda financeira do clube e decisões dos cartolas e de arbitragens suspeitas, além de um ou outro equívoco na formação do grupo.

É duro perder em função dessas coisas, mas faz parte.

O que dói mesmo é ter essa sensação que me aflige depois que vi o jogo contra o Rosario e, principalmente, esse contra o Libertad.

Não me incluo entre aqueles que parecem sentir prazer, uma satisfação interior profunda, em sempre detonar os melhores do time, desprezando as circunstâncias de um jogo e a qualidade do entorno, ou seja, de alguns integrantes do resto do time.

Por pior que tenha sido o desempenho técnico e tático do time, o Libertad chegou três ou quatro vezes na área gremista. Perdeu um gol logo no começo e depois, num contra-ataque, fez o gol da vitória.

Aqueles que culpam a dupla de volantes deveriam refletir sobre isso. O setor não estava tão vulnerável assim, mesmo com o time assumindo mais riscos no final porque buscava ao menos o empate.

O fato é que em outros tempos, a vantagem seria revertida até com facilidade.

Mas o Grêmio que estava em campo não era mais aquele Grêmio. Era um time vestindo o manto tricolor e jogando um futebol comum, banal e, cá entre nós, feio, ainda mais para quem já desfrutou do melhor.

Teria muito a escrever sobre os jogadores e as decisões de Renato, mas penso que tudo já foi dito neste blog pelos companheiros de jornada. Prefiro encerrar por aqui com uma pergunta:

Por que tanta insistência com camisa 9 estilo aipim quando o próprio Renato começou a se consagrar como técnico priorizando atacantes ágeis, velozes e ecléticos?

Outra pergunta:

Por que não colocar Jean Pierre quando sacou Vizeu, avançando Luan. Por que trocar seis por meia dúzia?

Vejo nisso o ocaso de um sistema vitorioso e encantador. Vai deixar saudade.

Pensem nisso enquanto lhes digo, até amanhã (frase de encerramento do Sergio Jockymann, brilhante radialista/jornalista/escritor. E colorado.

Três raios no mesmo lugar

O jovem Darlan se encaminha para mostrar que o raio pode cair mais de uma vez no mesmo lugar. Em pouco mais de um ano, o Grêmio está revelando para o mundo três jogadores com características muito semelhantes, e todos de baixa estatura física.

Os baixinhos Arthur – o primeiro raio -, Matheus Henrique – o segundo -, e agora o terceiro, Darlan, parece que saíram todos da mesma chocadeira.

Darlan já tinha fã clube (inclusive aqui neste blog) antes mesmo de começar a ser preparado e lançado aos poucos por Renato, que tem a fórmula para não apenas lançar novatos como recuperar jogadores mais experientes, como estamos vendo, agora, perplexos (eu estou), com esse renascimento de André, principal figura dos 3 a 0 sobre o São José, time que bateu o Inter por 2 a 0 no Noveletão.

Os exemplos são muitos, e por todos conhecidos, como é também o caso de Marinho (este estava me decepcionando profundamente).

Pois o mago Renato, uma espécie de Midas do futebol, segue fazendo pequenos milagres. Seu desafio maior, hoje, é fazer Lincoln (exemplo de lançamento apressado, mas com aval de 9 entre 10 gremistas, entre eles eu) reencontrar o caminho que pode levá-lo ao estrelato.

Sobre os ‘Três Baixinhos’, é muito provável que Arthur não seja igualado por Matheus Henrique e Darlan. Afinal, Arthur teve um crescimento vertiginoso e hoje é estrela no Barcelona. Dificilmente será igualado, mas nada impede até que seja superado. O futebol tem dessas coisas.

A EXPERIÊNCIA

Li e ouvi críticas ao Renato por ter experimentado Matheus Henrique na lateral-direita. Vou desenhar:

Renato pode estar preparando o guri para fazer a função de Ramiro e por isso o colocou de lateral, para conhecer melhor o setor. Ramiro atuava também, como um segundo lateral, o suporte de Léo Moura.

Renato pode estar pensando em utilizar eventualmente o MH nessa função diante de determinadas circunstâncias. Então, o que é melhor para isso do que testar o jogador do que um jogo do regional e dentro de casa?

Por fim, Renato pode estar pensando em MH como futuro titular da lateral direita, posição carente de jogadores talentosos. São inúmeros os casos de volantes que viraram laterais e acabaram se destacando e até vestindo a amarelinha.

Agora, eu prefiro Matheus Henrique jogando pelo meio, mas não condeno Renato, que sabe um pouco mais de futebol que eu, por fazer essa experiência.

Afinal, ele já mostrou que sabe o que está fazendo. Ou não?

Grêmio só empata em jogo para somar três pontos

Para quem começou o jogo sofrendo gol quando o time ainda estava no vestiário, o empate com o Rosario Central na estreia na Libertadores/2019 não foi um mau resultado. Afinal, não é fácil correr atrás depois de levar gol logo de saída de um time argentino, ainda mais na casa dele.

Mas nos minutos seguintes ao gol do Rosario – ocorrido aos 3 minutos -, quando o Grêmio parecia sonolento e praticamente não havia tocado na bola, o que se viu foi a superioridade e uma série de gols perdidos pelo tricampeão da América. Portanto, o empate por 1 a 1 não foi um bom negócio para o tricolor.

Após levar o gol, o Grêmio ‘entrou em campo’. Foram criadas boas chances de gol, algumas daquelas imperdíveis, tipo o tal ‘gol feito’ que os narradores costumavam dizer. Neste aspecto, ninguém superou Felipe Vizeu, que já mostrou ter condições de ser titular, mas que nesta noite abusou de desperdiçar oportunidades.

Quem acabou salvando o time de estrear com derrota foi Éverton. Aos 13 minutos, ele recebeu uma bola virada por Marinho – muito boa atuação, além de ser o alvo preferido das chuteiras assassinas -, driblou dois e chutou cruzado na saída do goleiro Ledesma, para mim o maior destaque do jogo porque fez duas ou três defesas ‘milagrosas’.

Sobre goleiro, Paulo Victor não falhou no gol de Zampedri, mas era bola defensável para um goleiro com mais agilidade e reflexo. Penso que ele levou o gol porque estava ainda frio, pode ser. Depois, ele se redimiu com duas boas defesas e intervenções seguras.

Não gostei no Grêmio, além dos irritantes ‘gols perdidos’, foi da marcação no meio de campo. Ramiro faz falta neste aspecto. O time tem um ganho ofensivo com Marinho, mas perde defensivamente na comparação com Ramiro. Fora isso, a dupla Maicon/Rômulo mostrou desarmonia na marcação. Talvez com mais alguns jogos eles se acertem. Michel fez falta.

No segundo tempo, com o jogo morno e se encaminhando para o final, Renato sacou Luan, muito apagado, e colocou Matheus Henrique, que deu mais dinamismo ao time. E quase marcou um gol logo em sua primeira participação.

André entrou no lugar de Vizeu, seis por meia dúzia. Jean Pierre entrou no lugar de Maicon (vejam, dois pilares técnicos do time saíram com o jogo ainda indefinido, o que é raro). Também ele quase marcou, ao cobrar uma falta na trave do goleiro na reta final da partida.

É Renato preparando a renovação do time e sinalizando que ninguém joga por carteiraço.

Na terça que vem, é o Libertad, 21h30, na Arena. O time paraguaio lidera o grupo H em função dos 4 a 1 sobre o Universidad Catolica.

GEROMEL

Geromel acertou uma cotovelada, na verdade quase um carinho mais rude, no atacante Zampedri ao final do primeiro tempo. O argentino foi pra cima e os dois levaram amarelo.

A gente sabe que Geromel não é de fazer esse tipo de coisa. No segundo tempo, quando Zampedri estava sentado em campo, esgotado, prestes a ser substituído, Geromel se aproximou e pelo gestual pediu desculpas ao adversário, que aparentemente as aceitou. E segue o baile.

Grêmio com grupo para passar o rodo

A caminhada tricolor rumo ao tetra da Libertadores começa dia 6, no Gigante de Arroyito, contra o Rosario Central.

Será um jogo muito difícil, claro, embora alguns jornalistas da praça estejam pintando um quadro mais colorido porque o time argentino anda mal e anuncia time misto contra o Grêmio. Lembra um pouco aquela história do ‘pior Real Madrid’ de todos os tempos.

Não vou nessa conversa. Na hora, vem o time titular, talvez com uns dois ou três desfalques no máximo. O clube estaria priorizando a competição nacional. Quer dizer, lá eles também priorizam. Nada contra ninguém.

Na verdade, não tem como escapar de estabelecer uma prioridade. Eu lembro que nos meus tempos de juventude, nas reuniões dançantes (só os mais velhos aqui sabem do que estou falando) priorizava uma menina, encostado numa coluna ou caminhando pra lá e pra cá como uma onça faminta escolhendo sua presa.

Priorizava tanto que saía sem nada, mais ou menos como o Grêmio no ano passado. Priorizou a Libertadores e ficou sem nada, perdeu a Copa do Brasil e o Brasileirão.

Voltando aos tempos das ‘reúna’. Eu, escolhia a mais atraente, minha prioridade, que acabava preferindo outro. Quando eu queria investir tudo na segunda, terceira ou quarta prioridades, era tarde, todas estavam encaminhadas, dançando de rosto colado, por vezes com direito de mordidinha na orelha, ao som do Creedence, Bee Gees, Beatles e Roberto Carlos.

Lembro que muitas vezes saí atracado “no Gauchão” – não me entendam mal -, a última das prioridades. Mas diferente de uns e outros, não comemorava. Era o prêmio consolação, na realidade.

O fato é que eu ficava até um pouco constrangido. Afinal, depois de passar a tarde/noite (as ‘reúnas’ eram coisa ‘família’) jogando todas as fichas nas deusas da festa, terminar com uma do time das visualmente menos interessantes era motivo de gozação por parte dos então adeptos do cinco contra um.

Bem, a poucos dias de começar a luta por sua prioridade das prioridades, tenho para mim que o Grêmio tem time para passar o rodo. Desde é claro que não comecem a aparecer lesões disso ou daquilo, como essa do Michel, e que acabem desfalcando o time. Afinal, é o que ocorreu no ano passado, quando o time ficou longo tempo sem seu craque, o craque das Américas.

Se os ventos soprarem a favor, o Grêmio pode priorizar tudo, a começar pelo Gauchão, que tem como maior valor o fato de ser o único que o rival vermelho realmente tem alguma chance de conquistar – e todos sabem por que.

O Grêmio deste ano tem um grupo com mais qualidade e mais opções ao treinador. Mas se começar a perder jogadores por lesão ou por transferências, aí já complica.

Se ocorrer tudo como a gente espera, dá para passar o rodo e ganhar o Gauchão, CB, Brasileirão e Libertadores. Quem duvida?

Difícil, mas não impossível como eram aquelas meninas que elegia como prioridade e que só me davam ‘carão’.

Mas eu insistia. Acho que é por isso que estou sempre mirando a Libertadores. Já levei muitos ‘foras’, mas as três vezes em que cheguei lá valeu muito a pena.

ROSARIO E O PATO

Não me lembro o ano (algo como 1979/1980), nem o resultado jogo. O jogo era no estádio do Newell’s, um estádio acanhado, tipo esses do Interior. Eu estava lá pela Folha da Tarde. Nunca me esqueço, terminado o jogo (o resultado não interessa), vi o Roberto Moure, o Pato, então na rádio Gaúcha, correndo para conseguir entrevistados. Ele pegava um, fazia um pergunta e dava o microfone para o interlocutor segurar e seguir falando. Enquanto isso, buscava mais alguém para falar. Tudo muito rápido.

Tempos do rádio heróico, da criatividade e do amor à camiseta.

Triste futebol que não consegue manter seus talentos

Antes de ser presidente do Grêmio, Romildo Bolzan é um torcedor. Por isso, não tenho nenhuma dúvida de que ele, neste momento, ao ceder Tetê, uma das grandes promessas do clube, está sentindo o mesmo que eu e a maioria dos torcedores.

Abrir mão de um jovem talento sem que ele antes ao menos vestisse a camisa tricolor em alguns jogos é muito triste.

É o futebol curvando-se mais e mais diante do poder econômico. O Grêmio poderia resistir? Duvido.

Tetê é que poderia fazer com outros antes dele: esperar uma proposta tão boa quanto essa Shakhtar Donetsk e exibir seu talento na Espanha, Itália, Inglaterra, nunca se esconder na Ucrânia.

Se bem que quem joga lá tem maiores chances de vestir a amarelinha titular em seguida. É um desses ‘mistérios’ do futebol.

O fato é que o Grêmio recebe à vista mais de 42 milhões de reais e fica com 15% de uma revenda futura. Prêmio de consolação. Mas já é alguma coisa, ou muita coisa diante da penúria do nosso futebol, no qual os clubes precisam formar e vender jogadores de ponta o quanto mais rápido possível.

O Inter tenta negociar seu volante Rodrigo Dourado e nada de aparecer uma proposta satisfatória. Nada sequer parecido com os 100 milhões de reais anunciados dois ou três anos atrás como algo concreto.

Hoje, no Grêmio, ainda temos chance de desfrutar de jogadores como Luan e Éverton. Mas só porque Arthur foi negociado antes.

Luan fez o que Tetê deveria ter feito na minha opinião. Esperar uma proposta de algum grande centro mundial. Éverton ainda não saiu porque o clube recusou as propostas que vieram.

É importante destacar que nem sempre uma grande promessa da base acaba correspondendo às expectativas. Lincoln, para ficar num exemplo recente, era uma pedra preciosa, um diamante. Hoje, está aí disputando vaga como volante, sendo que ele ele despontou como meia de armação.

Lembro ainda do Anderson, fundamental no jogo contra o Náutico. Era um meia atacante promissor. Acabou volante num clube da Inglaterra, e nunca mais jogou o futebol moleque que o consagrou e fez a alegria da torcida.

O futebol dá muitas voltas. O mau negócio de hoje pode ser comemorado dentro de algum tempo. O oposto também vale.

Uma pena que Tetê está indo embora assim, deixando uma pilha de euros nos cofres do clube, em vez de ficar aqui, empilhar gols com a camisa tricolor, e só então fazer o tal pé-de-meia, que tudo justifica.

AVENIDA

Meu time de origem sentiu o cansaço e o aspecto emocional da decisão histórica contra o Corinthians. Só por isso não venceu o Inter, ou ao menos empatou.

Não vi o jogo. Mas tive acesso aos lances principais. Quero dizer que foi pênalti em Zeca. O zagueiro pega a perna direita do Zeca, dentro da área, pênalti.

Agora, se fosse um lance a favor do Avenida ou do Grêmio, o juiz marcaria?

Pelo que tenho visto no noveletão, acredito que não. Dias atrás Kanneman foi seguro dentro da área do Brasil, lance claro de penalidade máxima. Passou em brancas nuvens.

Já o céu na arbitragem gaudéria é coberto por nuvens escuras, carregadas, que só não pairam sobre o Inter.